Facebook e Instagram podem mudar após vídeo falso na web

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Uma nova polêmica envolvendo vídeos deepfake pode mudar as políticas de divulgação de conteúdos falsos no Facebook e no Instagram. É que, desta vez, o alvo foi Mark Zuckerberg, dono da empresa que administra estas redes sociais e também o WhatsApp. O conteúdo, criado a partir da tecnologia de Inteligência Artificial, mostra imagens manipuladas do programador e empresário fazendo insinuações sobre ter o controle dos dados dos usuários de suas plataformas.

Essa não é a primeira vez que vídeos desse tipo circulam na internet. Anteriormente, o Facebook já havia dito que não removeria posts deepfake de suas plataformas. Ao invés disso, os algoritmos filtrariam a recomendação destes conteúdos, como, por exemplo, na aba “Explorar” do Instagram e as páginas de hashtags. Dessa forma, eles não são priorizados e aparecem com menos frequência no feed. Agora, com a imagem de Zuckerberg exposta, o debate pode ganhar um novo direcionamento.

O vídeo foi desenvolvido e postado no Instagram pelos artistas Bill e Daniel Howe, em parceria com a empresa de publicidade Canny. Nele, Zuckerberg aparece sentado e, na parte inferior da tela, é possível ver uma chamada jornalística do canal CBSN com os dizeres “estamos aumentando a transparência nos anúncios”.

A manipulação da voz e da imagem de Zuckerberg simulam uma entrevista sobre o poder do Facebook para a rede de TV, que já solicitou a retirada do conteúdo do ar. No vídeo, o empresário aparece falando: “Imagine isso por um segundo: um homem, com controle total de bilhões de dados roubados, todos os seus segredos, suas vidas, seus futuros”.

Como o vídeo foi criado

Em entrevista ao blog de efeitos especiais FXGuides, os fundadores da agência Cany explicaram que se inspiram no programa Face2Face, da Universidade de Stanford, que faz reencenação facial em tempo real. Para acompanhar os gestos e a expressão corporal de Zuckerberg, os engenheiros pegaram 21 segundos de um vídeo de sete minutos de uma entrevista concedida por ele em 2017. A partir daí treinaram o algoritmo neste trecho. Em seguida, reconstruíram os quadros e foram combinando a fala com o movimento facial do empresário.

Apesar de realista, a voz do vídeo claramente não é de Zuckerberg. O dublador até tenta imitar a fala do dono do Facebook, mas é possível perceber que não se trata dele. Por outro lado, toda a movimentação do corpo e do rosto deixam a dúvida para quem não percebe que a hashtag deepfake está sendo usada ou para quem recebe o conteúdo por outras formas que não sejam a página do projeto dos artistas com a agência.

Outros casos

Em 2017, pesquisadores da Universidade de Washington criaram algoritmos para produzir um vídeo deepfake do ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. A tecnologia, inclusive, foi a mesma usada pela agência Cany para fazer o vídeo de Zuckerberg e de outras figuras de renome.

Isso porque a mesma página do Instagram fez outros alvos, também manipulando declarações polêmicas, como foi o caso de Kim Kardashian, Donald Trump, Morgan Freeman e Marina Abramovic. Mas a tecnologia deepfake também já foi usada com outras intenções.

Atrizes como Gal Gadot, Scarlett Johansson e Emma Watson, além da cantora Taylor Swift, já tiveram suas imagens inserida em filmes pornográficos. Neste mesmo sentido, no ano passado uma produtora americana de vídeos, a Naughty America, estreou um serviço para que seus clientes pudessem usar seus próprios rostos nos corpos de atores e atrizes pornôs em filmes de conteúdo adulto.

techtudo