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Xuxa faz apelo por inclusão de pessoas com deficiência: ‘Nossas leis não os protegem’

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Embaixadora da ONG Serendipidade, que dá assistência a crianças com síndrome de Down, Xuxa chamou atenção para a importância da inclusão durante evento da instituição na última segunda-feira (14).

No evento, realizado em São Paulo, Xuxa falou sobre sua missão no projeto e levou os presentes às lágrimas ao mostrar um vídeo com imagens de seu programa nos anos 1980, em que interagia com crianças com deficiência. O namorado Junno, que a acompanhou, não conseguiu segurar a emoção.

“Eu sempre trabalhei para crianças e nunca aceitei que houvesse uma separação entre crianças ditas como ‘normais’ ou ‘especiais’. Eu colocava na frente do palco crianças com o rostinho queimado. Não fazia isso para chocar ninguém, fazia isso porque eu não diferencio entre uma criança e outra”, contou Xuxa.

Sem papas na língua, como sempre, a apresentadora se mostrou indignada com a falta de conscientização e de cobrança do brasileiro pela inclusão.

“Infelizmente a maioria das pessoas só se preocupa com a causa quando são atingidos pessoalmente, quando tem alguém na família com alguma necessidade. A gente tem que exigir isso como sociedade, não se preocupar só quando está na nossa casa”, chamou atenção.

Segundo ela, um dos problemas mais urgentes é a falta de acessibilidade e inclusão nas escolas.

“Nossas leis não protegem essas crianças. A gente não pode mais ter escolas em que a cadeira de rodas não passa na porta, em que não tem rampa. Não podemos ter escolas onde não tem alguém que fale LIBRAS, onde não tem um apoiador para quem é cego, onde não tem uma professora preparada para lidar com um aluno autista”, lamentou.

A apresentadora, que também é falante da língua brasileira de sinais, conta que chegou à ONG Serendipidade através de seu sócio na Espaço Laser, Paulo Morais, que também estava presente na festa.

Fundada por Henri e Marina Zylberstain, pais de um menino de 2 anos com Down, a instituição sem fins lucrativos fornece fisioterapia e tratamento individual com educadores físicos para 32 crianças, além de apoio psicológico a pais que acabaram de receber o diagnóstico.

A ONG tem parcerias com marcas de renome como a Vivara, que lançou uma linha de pingentes com o símbolo do autismo e da síndrome de Down, e a própria Espaço Laser, de Xuxa.

No evento, executivos e socialites se misturavam a crianças, pais e educadores. Uma prancha do surfista Gabriel Medina foi arrematada no leilão por R$ 20 mil. O músico Dudu do Cavaco, que tem Down, animou a noite tocando clássicos do samba.

“Essas pessoas são anjos e a gente tem a obrigação de cuidar delas com muito carinho. Não existem colégios, médicos, lugares apropriados. O Brasil é imenso, imagina quantos pais e responsáveis estão perdidos, sem assistência. A gente ainda precisa fazer campanhas, se unir, falar sobre um assunto que está na nossa cara e a gente não quer ver”, enfatizou Xuxa.

“Quero poder dar voz aos que não tem voz. Queria andar para todos os lugares por aqueles que não podem se locomover. Mas qualquer coisa que eu fizer não vai ser nem a metade da metade da metade do amor que eu recebi. Amor verdadeiro. Eu ainda estou em dívida com eles”, encerrou.

Filha missionária 

Orgulhosa da filha Sasha, de 21 anos, Xuxa contou que a jovem tem ainda mais intimidade que ela com o “cara lá de cima”, e que o lado humanista também se desenvolveu na filha.

“A fé da Sasha é mais forte que a minha. Ela quer passar o Natal e ano novo na África ajudando as pessoas, ela se considera uma missionária”, revelou.

Aos 56, Xuxa não vê a hora de ser avó. “É o que eu mais quero! Mas não quero forçar a barra. Estou na torcida, deixa ela encontrar alguém que ela goste muito”.

ClickPB